8 de outubro é Dia da Psicologia Latino-americana!

A Fenapsi destaca a importância da data, criada em 2006 pela Assembleia da União Latino-americana de Entidades da Psicologia (ULAPSI).

“Comemorar o Dia da Psicologia Latino-americana se torna ainda mais importante nesses tempos sombrios. Descolonizar o pensamento e tornar a Pátria Grande. Psicologia na Luta pela Democracia, Diversidade e Direitos Humanos”, frisa a vice-presidenta da Federação, Fernanda Magano.

Abaixo, confira a convocação que a ULAPSI faz às psicólogas e aos psicólogos em favor de uma Psicologia ética, crítica e solidária!

Em 8 de outubro de 2006 foi declarado pela Assembleia da Ulapsi o Dia da Psicologia Latino-americana. É uma data que nos convoca a refletir sobre a responsabilidade científica e profissional que, como psicólogas e psicólogos, temos que renovar como compromisso ético. 
Esta comemoração implica pensar em uma psicologia consciente do relato histórico hegemônico herdado, que tem operado como “lentes de los demás” (Martín-Baró, 1998). Por isso que assumimos uma posição firme frente às necessidades de uma sociedade cada vez mais complexa, com determinantes históricos, políticos, sociais, culturais e econômicos.

654 milhões de pessoas na América Latina vivem em uma realidade caracterizada pela desigualdade social e econômica, com danos à população em situação de vulnerabilidade, desrespeito à institucionalidade e aos processos democráticos, alta desinformação e deterioração acelerada do meio ambiente, entre outras questões.

Esta realidade afeta gravemente a saúde mental das pessoas e seu direito a vida livre de violência e injustiça. Em muitos lugares da América Latina, a ameaça à vida é cotidiana, os assassinatos e, especialmente os feminicídios, tem aumentado de forma assustadora, a confrontação política partidária aumenta a confrontação social com o auxílio das redes sociais que desinformam de forma avassaladora. A corrupção, a parcialidade do poder judiciário e a cumplicidade da mídia e dos poderes executivo e legislativo com os interesses privados seguem drenando os escassos recursos econômicos dos países e promovendo a violência.

As/os psicólogas/os latino-americanas/os atravessam momentos difíceis, e é necessário um olhar inclusivo embasado no respeito às diferenças. Uma das preocupações é encorajar as novas gerações na busca de uma psicologia própria de nosso continente e de nossa realidade. Devemos agregar força à construção coletiva de um pensamento latino-americano, que faça da psicologia uma ciência responsável e protagonista do crescimento e desenvolvimento de sua gente. 
O Dia da Psicologia Latino-americana é uma excelente ocasião para refletir sobre as circunstâncias e responsabilidades do trabalho de psicólogas e psicólogos nos países latinoamericanos e a produção da psicologia, seus traços cultuais, seus valores, costumes e projetos. Temos a responsabilidade de evidenciar que nossa subjetividade é atravessada por processos sociais de rupturas violentas, mandos hierárquicos e tiranos e, por isto, sujeitos a dinâmicas relacionais ainda muito próximas das ordens coloniais. Descortinar, denunciar estas dinâmicas e desvelar os efeitos negativos que elas têm na construção de subjetividades é um imperativo ético para a psicologia, pois somente dessa maneira contribuiremos para a descolonização intelectual e afetiva de nossos povos.

Os desafios da psicologia seguem sendo muitos, como, por exemplo, oferecer apoio às vítimas da crescente onda de violência contra a mulher e a morte de jovens, buscando construir uma psicologia atenta a estratégias de prevenção na América Latina, coerente com as mazelas de nossas sociedades. As soluções devem ser coletivas, que implica em organizações fortes e coesas que não apenas nos respaldem e representem, mas que nos permitam produzir conhecimento que ajude a entender o que ocorre e criar caminhos de possíveis respostas. Sem nenhuma dúvida #TemosResponsabilidade.

Assumir uma psicologia latino-americana é envolver-se em uma práxis transformadora da realidade que ao mesmo tempo nos transforme; é comprometer-se com uma determinada forma de sociabilidade que promova a ética da vida; é propor uma psicologia comprometida com a superação das desigualdades sociais. Essa é a proposta da Ulapsi: “Consolidar-se como um espaço de coordenação entre as distintas entidades da psicologia na América Latina, em busca de uma psicologia comprometida com a transformação das condições de vida da maioria dos nossos países e com a finalidade de superar as desigualdades sociais que caracterizam nossas realidades” (Declaração de Puebla).

ULAPSI convoca as/os profissionais latino-americanas/os da psicologia, por meio da articulação de seus saberes e práticas, a produzir uma psicologia ética, crítica e solidária!

Fonte: Conselhos Deliberativo e Executivo da Ulapsi Latino-america, Outubro 8 da 2018. Esse texto foi produzido de maneira coletiva por psicólogas e psicólogos da América Latina.