Congresso da Fenapsi aborda terceirização e Reforma da Previdência

Na abertura do evento, representante sindicais refletiram sobre o cenário da retirada de direitos e seu impacto nas condições de vida e de trabalho das(os) psicólogas(os)

A primeira mesa do Congresso Extraordinário da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi) teve como tema “Terceirização, baixos salários e Reforma da Previdência: chega de precarização”. O objetivo foi debater o horizonte das condições de trabalho das(os) psicólogas(os) no cenário de retirada de direitos e crise econômica. Participaram da mesa o diretor do Sindicato dos Psicólogos do Mato Grosso do Sul Walkes Jacques Vargas (CRP 14/55746),  a presidenta do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerias,  Lourdes Aparecida Machado (CRP 04/7090), e o presidente do Sindicato dos Psicólogos do Rio de Janeiro, Marinaldo S. Santos (CRP 05/5057).

O sul-mato-grossense Walkes iniciou a mesa contextualizando a crise econômica e política que se instaurou no Brasil nos últimos anos. Saindo das manifestações de 2013 e indo até o atual cenário de desmonte trabalhista e social, ele ressaltou que o imaginário da população, especialmente a mais carente, está descrente nos direitos sociais, nos serviços públicos e segue uma concepção individualista de vida e de sociedade. “Nós, psicólogas e psicólogos, não estamos em outro planeta. Temos colegas da nossa base que também pensam assim. Precisamos saber como dialogar com eles e com esse imaginário”, defendeu.

Para dialogar, no entanto, é preciso contato direto com a categoria, algo apontado por Walkes como um desafio para os sindicatos das(os) psicólogas(os). “Nossa base é muito pulverizada. Não temos um local de trabalho onde se concentram um grande número de psicólogos. Esse é um grande desafio para conseguir dialogar com a nossa base. Como dialogar com a categoria sobre a terceirização e a Reforma da Previdência?”

A presidente do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais (MG), Lourdes Aparecida, inseriu o importante debate de gênero na discussão. Para ela, as relações entre condições de trabalho e gênero são indissociáveis. “Quem somos nós? Somos mulheres com baixos salários, duplas ou triplas jornadas de trabalho que não são contabilizadas para a aposentadoria. Somos aquelas que têm a figura associada ao cuidado e ao espaço privado, e não ao espaço público”, reflete Z. ”Baixos salários, desvalorização e violência continuam sendo demonstrações de machismo que controlam a nossa vida”, finalizou.

Já Marinaldo, presidente do Sindicato dos Psicólogos do Rio de Janeiro, se debruçou sobre as crueldades da Reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal. Após explicar os retrocessos que a PEC 287 representa, o psicólogo citou o estudo Desmistificando o Déficit da Previdência, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Anfip),  cujo conteúdo relembra que a Previdência Social faz parte do sistema de Seguridade Social, composto também pela Saúde e pela Assistência Social, aspecto frequentemente ignorado pela imprensa e pela base governista.

Fonte: SINDYPSI-PR