Em Campo Grande, Frente Brasil Popular diz “Não ao Golpe” em frente da TV Morena

DSC_8926No final da tarde de sexta-feira (18), milhares de manifestantes se reuniram na capital sul-mato-grossense, em frente à TV Morena (filial da Globo) para se manifestar contra o golpe político defendido por setores conservadores da sociedade brasileira.

Segundo a organização do evento, o local “foi escolhido estrategicamente”, pois as entidades que compõem a Frente Brasil Popular (MS), vêm criticando abertamente a cobertura “parcial” realizada pelos principais veículos de comunicação do estado e do país, acerca do pedido de impeachment da Presidenta da República.

Militantes de movimentos sociais, partidos políticos, indígenas e trabalhadores foram o público desta manifestação, eles realizaram seu protesto sem uso de palanque, tendo todas as pessoas no mesmo nível. O movimento contou também com a mobilização de caravanas de dezessete cidades do estado.

Durante o ato havia cartazes com os seguintes dizeres, “não vai ter golpe”, “rede globo máfia televisiva”, “Democracia para todos nós, mulheres, negros, gays, terras indígenas”, ao lado do símbolo da emissora, alvo dos protestos pudemos ver escrito, “sorria você está sendo manipulado”.

A organização afirmou, em material divulgado durante o ato, que “Setores políticos derrotados nas urnas, tentam tomar o governo federal à força, com base numa investida raivosa, midiática, jurídica, com forte aparato policialesco e financiamento do grande capital”.

O tema corrupção foi abordado pelo material da FBP-MS, um trecho dele trazia a seguinte mensagem, “Se você defende o fim deste câncer, pode ter certeza, nós estamos juntos nessa. Queremos cadeia para quem for comprovadamente culpado por corrupção, inclusive em casos que aconteceram no Mato Grosso do Sul. Mas devemos lembrar que muita gente da elite quer chegar ao poder, através de um golpe, para não serem julgados”.

Este caso foi relacionado com a postura de Eduardo Cunha (PMDB), que usou de ameaças públicas em dar prosseguimento ao pedido de impeachment de Dilma Roussef, caso não fosse defendido pelo governo federal, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, sobre o caso das suas contas na Suiça, que ele negou ter*.

Políticos sul-mato-grossenses foram lembrados na manifestação, como sendo defensores de pautas contra os trabalhadores, é o caso dos Deputados Federais Luiz Henrique Mandetta (DEM), Tereza Cristina (PSB) e Geraldo Rezende (PMDB), que foram vistos em cartazes que relembravam a postura dos seus votos, na primeira rodada de votação do PL 4330, conduzido por Eduardo Cunha (PMDB), que prevê a terceirização do trabalho, em todas as áreas, públicas e privadas, o que causaria sérios danos aos salários dos brasileiros, além de aumentar os riscos de acidentes e elevar a precarização do trabalho, conforme apontam pesquisas.

Importa ressaltar que em segunda votação, na Câmara dos Deputados, após pressão dos movimentos sindicais e sociais de Mato Grosso do Sul, Mandetta resolveu mudar de posição e votou contra o projeto PL 4330 das terceirizações.

Em alerta à situação crítica que vive o país, o Presidente da CUT-MS, Genilson Duarte, afirmou em sua fala durante o ato, “o primeiro golpe é político, em segundo lugar vem golpe nas conquistas sociais”, afirmou o dirigente.

Duarte também fez questão de trazer a público, denúncias que chegaram até a sede da CUT, “que alguns patrões, vêm exigindo de seus funcionários que participem dos protestos pela elite, são denúncias de trabalhadores que relataram perseguição de ideias por setores do patronato”, o dirigente declarou que a CUT deve preparar uma nota pública sobre o caso, além de buscar outras medidas jurídicas cabíveis.

O ato de Campo Grande foi encerrado já no período noturno, por volta das 19horas, segundo a organização, também participaram da manifestação, representantes das cidades de Amambai, Aquidauana, Bonito, Coxim, Dourados, Itaquiraí, Ivinhema, Maracaju, Miranda, Mundo Novo, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Porto Murtinho, Corumbá, Ladário, Terenos, Três Lagoas.

A Frente Brasil Popular e a Frente Brasil Sem Medo, que representam setores do campo democrático-popular, estão convocando um ato, em defesa da democracia brasileira, para o dia 31 de março, a ser realizado na cidade de Brasília, Distrito Federal.

Fonte: CUT-MS / Escrito por: Sérgio Souza Júnior