Greve Geral: Um assunto das Psicólogas e da Psicologia

É inequívoca a necessidade de mobilização e providencial a adesão das psicólogas na greve do dia 28, afinal se trata de uma categoria profissional (outro jeito de dizer trabalhadoras) que será diretamente atingida pelas chamadas reformas (na verdade um desmonte, uma destruição) trabalhista e da previdência.

Para as trabalhadoras celetistas a terceirização cairá como uma bomba, por exemplo no setor de RH, que conta fortemente com a presença de psis, que será certamente substituído por terceirizadas. Para quem é trabalhadora pública o desmonte já começou com o congelamento de investimentos por 20 anos que sucateará os serviços públicos. Na questão da aposentadoria o impacto não é somente para celetistas, mas quem paga a previdência como autônoma também sofrerá as consequências.

Mas penso que para além das psicólogas a própria psicologia tem que se manifestar no e sobre o dia 28. É uma ciência e profissão que desde a Constituição de 88 têm tido uma participação importante nos avanços sociais, contribuindo nas políticas públicas e também no debate de temas altamente relevantes para a sociedade brasileira como sexualidades, violência, patologização/medicalização, preconceito, racismo, sexismo entre outros, cumprindo uma plataforma do chamado Compromisso Social da Psicologia.

O que está em jogo nesta sexta-feira é bem mais (é possível?) do que perder ou não alguns direitos, mas as bases mesmo de uma vida social com alguma dignidade. No cenário de terra arrasada anunciado pelas chamadas reformas o que nos restará em um futuro breve é mais desigualdade social e maior abismo entre os que muito tem e os que quase nada recebem. Isto tudo numa sociedade já tão marcada pela violência (a física e a simbólica) trará muito mais sofrimento e humilhação social.

Tenho a impressão de amplos setores da sociedade têm compreendido que há muita coisa em disputa e, entre elas, o tipo de saída que teremos dessa crise, se uma que avance na consciência política que aposte na democracia, no estado de direito e cidadania, ou, como em outras experiências históricas, que o desespero e o medo consolidem uma saída autoritária e mesmo fascista. Com tudo isso, seguramente não é hora para a omissão.

Faço eco a uma das chamadas da CUT que diz: é GReVE por que é GRaVE!

Rogério Giannini

Presidente do CFP – Conselho Federal de Psicologia