No 8 de Março, mulheres realizam ato público em frente a Casa da Mulher Brasileira

O protesto denunciou o desmantelamento do órgão, pós golpe.

No final da tarde de 8 de março, militantes de movimento feministas, sindicalistas ligadas à CUT e ativistas do campo e da cidade, se reuniram para protestar em frente da sede da Casa da Mulher Brasileira, situada próxima do aeroporto internacional de Campo Grande-MS. Genilson Duarte, Presidente da CUT-MS participou desta atividade.

Com um caixão e velas, as mulheres denunciaram situações de desmantelamento desta importante instituição pública.

Na oportunidade, Fabiana Machado, advogada e militante da Marcha Mundial de Mulheres falou sobre os impactos da Reforma Trabalhista e a proposta de reforma da previdência que chegou a ser pautada pelo governo ilegítimo de Michel Temer, “vocês imaginam o que é uma mulher trabalhar 40 anos de contribuição, sem intervalo, para poder se aposentar” disse Fabiana, analisando o contexto onde o trabalho doméstico ainda não é dividido com os homens, na maioria das uniões de casais.

Maria Rosana, pesquisadora e dirigente do Partido dos Trabalhadores, frisou “a casa é das mulheres brasileiras, nós somos parceiras, contribuímos com a casa, oferecemos nosso conhecimento, mas somos do controle social”, neste sentido, garantia o seu direito a criticar a qualidade das políticas públicas hoje ofertadas pela casa.
Sueli Veiga, Vice-Presidenta da FETEMS e dirigente nacional da CUT enfatizou “Esta casa representa nossa luta por dignidade, nós a conseguimos através de muita luta. O que queremos para ela é que funcione. Um espaço de acolhida, de encaminhamento para as mulheres, dotado de profissionais e serviços para atender a mulher e a família. A violência acontece onde menos a gente espera”, alertou a dirigente.
Dona Gilda, liderança histórica da luta das mulheres afirmou, “a casa perdeu aquele ideal, sonhado e projetado, que foi inaugurado pela Dilma. Queremos respeito para com as mulheres. Hoje a gente vê o instrumento que a gente sonhou, está aqui esvaziada pelo governo golpista. Quem mais está sofrendo com isso são as mulheres. O cenário de dificuldades voltou, temos que lutar para mudar isso. Precisamos nos questionar, qual é o mundo que eu quero construir para meus filhos e filhas, para homens e mulheres, é o que precisamos discutir. Vale a pena sonhar”, concluiu Dona Gilda.
Antonia Maria, a Toninha, da Marcha das Mulheres Campesinas, denunciou o “ caráter neoliberal, machista e entreguista do golpe. A redução de recursos nas áreas de saúde, educação, a retirada de direitos trabalhistas, a ação prejudicial do agro e hidro negócios, causando sérios danos à saúde. A superexploração do trabalho das mulheres e homens via terceirizações e reforma trabalhista, a proposta de reforma da previdência, a precarização do atendimento às mulheres, tal como ocorre atualmente na Casa mulher brasileira”, disse.

O Coletivo 8 de março, divulgou uma carta, que publicamos na íntegra, logo abaixo. O movimento é composto por:MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES MMM/MS, MOVIMENTO DAS MULHERES CAMPONESAS MMC/MS, CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES/CUT/MS, ASSOCIAÇÃO CAMPOGRANDENSE DE PROFESSORES/ACP, UNIÃO BRASILEIRA DAS MULHERES UBM/MS, SINDICATO DOS TRABALHADORES EM SEGURIDADE SOCIALSINTSS/MS; TRABALHOS, ESTUDOS ZUMBI TEZ/MS ;TEATRAL GRUPO DE RISCO; ADUFMS; ; SECRETARIA DE MULHERES DO PT SECRETARIA DE MULHERES DO PCDOB E MOVIMENTO SEM TERRA MST/MS.

 

 

 

MULHERES SULMATOGROSSENSES EM LUTA: CONTRA TODAS AS FORMAS DE VIOLENCIA, PELOS DIREITOS TRABALHISTAS, PREVIDENCIARIOS SEXUIAS E REPRODUTIVOS.

 

Chegamos a mais um 08 de Marco com garra, luta e perseverança!!!

Construímos essa data com esforço, sangue, suor e muita resistência.

A jovem democracia brasileira nos últimos dois anos sofreu um duro golpe, um golpe que derrubou uma presidenta legitimamente eleita, aclamada nas urnas por homens e mulheres de todo Brasil. De lá para cá, são retrocessos e retrocessos: aprovaram a reforma trabalhista, numa traição sem precedentes contra a classe trabalhadora. Aniquilaram politicas públicas importantes, como os programas sociais, as politicas de enfrentamento as violências contra as mulheres estão em franco desmonte e os direitos humanos? A liberdade de manifestar-se? Parece ser uma politica esquecida, colocada na gaveta, trancada a sete chaves e guardada com fuzis e canhões. Enterrou-se a democracia dando lugar à truculência, ao intervencionismo, à homofobia, lesbofobia, xenofobia e violência. A proposito, a violência graça no estado brasileiro. E quem protagoniza? O próprio Estado.

 

VIVEMOS TEMPOS DE TURBULENCIA: RESISTIR É PRECISO!!!!!

 

O Brasil é um dos países que mais cometem violência contra as mulheres, dentre as violências, a domestica, o estupro e o feminicídio são naturalizados pela sociedade machista e patriarcal em que vivemos. Essas violências não podem ser naturalizadas. BASTA!!!

Nós, mulheres queremos Viver e VIVER PARA NÓS significa respeito, equidade, segurança, liberdade com nosso corpo, nossas vestes, nosso ir e vir sem que tenhamos que nos preocupar se seremos violentadas na próxima esquina. O Mato Grosso do Sul, é um dos estados brasileiros que mais registram BO(s) de violência doméstica, é um dos estados que mais cometem estupros contras as mulheres, esses estupros vitimizam mulheres, crianças e adolescentes. São crimes de gênero, são crimes sexistas, por que somos mulheres. No ranking do feminicídio, os números do MS são alarmantes, assustadores. Em 2017 foram quase trinta mulheres assassinadas no estado. Essa barbárie precisa parar, a sociedade precisa dar um basta, o estado enquanto fomentador de politicas públicas e de proteção às mulheres precisa de fato proteger, punir os culpados e ouvir o clamor das mulheres.

Estamos nas ruas nesse 08 de março pela vida das mulheres. Estamos em luta por todas nós, pela nossa sobrevivência! Denunciando os abusos, denunciando o golpe, a retirada de direitos e os retrocessos até aqui vivenciados.

08 de Março é dia de luta! De resistência! Não queremos flores enquanto somos eliminadas do mercado de trabalho, enquanto escravizam e precarizam o trabalho feminino, enquanto sofremos violações, violência e assassinatos.

Queremos nossos direitos garantidos, respeitados, resguardados. Queremos respeito, liberdade, autonomia. Queremos participar da politica, do processo eleitoral com condições iguais aquelas que são dadas aos homens.

Em respeito às nossas antecessoras, pelas quais essa data foi criada, LUTAMOS, RESISTIMOS E ESTAMOS EM MARCHA!!! NÃO VÃO NOS CALAR. SOMOS AS VOZES E AS PROTAGONISTAS DAS LUTAS E DAS CONQUISTAS QUE JÁ TIVEMOS E DAS VITÓRIAS QUE ESTAO POR VIR. NÃO ESTAMOS SÓS, SOMOS MILHÕES!!!   ESTAMOS JUNTAS POR NÓS TUDINHA!!!!

 

ASSINAM ESSA CARTA/MANIFESTO

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES MMM/MS, MOVIMENTO DAS MULHERES CAMPONESAS MMC/MS, CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES/CUT/MS, ASSOCIAÇÃO CAMPOGRANDENSE DE PROFESSORES/ACP, UNIÃO BRASILEIRA DAS MULHERES UBM/MS, SINDICATO DOS TRABALHADORES EM SEGURIDADE SOCIALSINTSS/MS; TRABALHOS, ESTUDOS ZUMBI TEZ/MS ;TEATRAL GRUPO DE RISCO; ADUFMS; ; SECRETARIA DE MULHERES DO PT SECRETARIA DE MULHERES DO PCDOB E MOVIMENTO SEM TERRA MST/MS.

 

FONTES PESQUISADAS: Mapa da violência 2016 DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

DADOS DA SEJUSP SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES/2017.

RELATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL/PROMOTORIA DA VARA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER/2015.

RELATORIO DO SUS 2016 SOBRE ATENDIMENTO AS MULHERES VITIMAS DE VIOLÊNCIA NO BRASIL.

ARTIGO PUBICADO EM OUTUBRO DE 2017 NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ SOBRE FEMINICÍDIO NO MS DE AUTORIA DE MARLENE RICARDI DE SOUZA.

Fonte: CUT-MS / Escrito por: Sérgio Souza Júnior